uma aventura pela poesia
Trilhos

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  • Eu penso o que não pensam,
  • Pois se pensassem o que penso,
  • Então eu nada pensaria.
 
  • Mas quando penso, questiono.
  • Quando questiono reflito,
  • Quando reflito duvido,
  • Quando duvido pergunto-me:
  • Até quando tudo isto?
 
  • Caminhos que se trilham,
  • Pegadas que se fazem.
  • Vidas que se perdem,
  • Em lutas que se travam.
 
  • Caminhos que se percorrem,
  • No sentido de nadas.
  • Misérias que se sentem,
  • Nas bocas caladas.
 
  • Caminhos palmilhados,
  • Em vidas sofridas,
  • O Homem dobrado,
  • Pelo peso da vida.
 
  • A beleza dos passos,
  • Evoluindo do nada.
  • Sentimentos em pedaços,
  • Numa face deslumbrada.
 
  • Pés que dançam,
  • Num silêncio comprometido.
  • As vozes nada alcançam,
  • Neste mundo ferido.
 
  • Mãos que se contorcem,
  • Na labuta sem fim.
  • Mãos que falam,
  • E que choram por mim.
 
  • A face enrugada,
  • Em sulcos profundos.
  • A terra cavada,
  • Separando dois mundos.
 
  • Eu penso o que não pensam,
  • Pois se pensassem o que penso,
  • Então eu nada pensaria.
 
  • Mas quando penso, questiono.
  • Quando questiono reflito,
  • Quando reflito duvido,
  • Quando duvido pergunto-me:
  • Até quando tudo isto?

Jorge Basílio 2011

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E se...

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  • Se eu fosse um quadrado,
  • Senão diferente de qualquer outro,
  • Seria igual em qualquer lado,
  • Sublime forma d’essoutro.
 
  • Se eu fosse um círculo,
  • Seria redondo “ma non troppo”,
  • Senão infinito, mui determinado,
  • Subtil esquiço esboçado.
 
  • Se eu fosse um triângulo,
  • Seria muito equilibrado,
  • Senão isósceles ou escaleno,
  • Só e apenas um equilátero.
 
  • Se eu fosse um retângulo,
  • Senão diferente do quadrado,
  • Seria simétrico ao meu oposto,
  • Singular com certeza, mas só no rosto.
 
  • Se eu fosse simples sarrabisco,
  • Suave e gracioso em folha de papel,
  • Seria nada geométrico ou, quiçá,
  • Só pincelada de um pincel.

Jorge Basílio 2022


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