A criação de um presépio é um exercício de rigor artístico e de sensibilidade poética, onde cada gesto construtivo participa de uma narrativa silenciosa. Tudo começa no projeto. Uma ideia inicial, pensada com atenção à escala e ao equilíbrio do conjunto, onde se antecipa não apenas a forma, mas a atmosfera que se deseja criar. O presépio nasce primeiro no pensamento, como um espaço habitável pela memória, pela fé e pelo imaginário.

Segue-se a escolha dos materiais, etapa essencial e profundamente ética. Optar por materiais reciclados ou reutilizados não é apenas uma decisão prática, mas um posicionamento estético e simbólico. A madeira, geralmente de castanho, dá corpo ao modelo tridimensional, oferecendo solidez, calor e uma ligação ancestral à terra. Sobre essa estrutura, pequenas peças de barro são acrescentadas com critério, sugerindo utensílios, animais ou elementos arquitetónicos que reforçam a verossimilhança da cena.

O couro e o tecido entram como matérias de suavidade e contraste, dialogando com a rudeza da madeira. Pequenos ramos secos, cuidadosamente escolhidos, evocam a paisagem e o tempo, trazendo para o presépio a marca do mundo natural. Nada é arbitrário... cada elemento deve respeitar a escala, a harmonia e o ritmo visual do conjunto.

As personagens surgem então como o coração da obra. Modeladas e vestidas com fragmentos de tecido e fio encerado, ganham identidade e expressão sem excessos, numa contenção que considero essencial. Pequenos sinos e, por vezes, delicadas campânulas de vidro introduzem luz, som e proteção, quase impercetíveis, mas suficientes para sugerir mistério e celebração.

Por fim, o verniz sela o trabalho. Não apenas protege, mas unifica, conferindo ao presépio uma pele comum, onde todas as matérias se reconhecem como parte de um mesmo corpo. O resultado é mais do que um objeto... é o testemunho de um processo criativo consciente, lento e profundamente humano, onde técnica e poesia caminham lado a lado.

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materiais Madeira de castanho (preferencialmente).
Ramos secos de árvores.
Pequenas peças de olaria.
Pequenas peças de olaria.
Pequenas peças de olaria.
processos As técnicas e os processos utilizados são o corte das madeiras em dimensões adequadas, passando por suavização das superfícies e arestas através da utilização de lixas de grão médio e fino. Após isto começa a fase criativa ao colar as partes que vão constituir a estrutura. Pode ser adicionada uma base em granito ou mármore previamente preparada. Depois segue-se a fase de adicionar elementos de barro, ramos secos para imitar árvores desnudas. É importante referir que aqui funciona muito a criatividade do momento ao escolher o que vai integrar a peça ou não. É comum estar a trabalhar, a montar, mais que um presépio ao mesmo tempo. O que não fica bem num, pode ficar bem noutro. Nenhum presépio é igual. Apenas a semelhança é notória. Em resumo, as fases são o corte, a colagem, a preparação dos elementos externos tais como escadas, "árvores", figuras e, finalmente, acabamento que passa pela limpeza e envernizamento, bem como a colocação de etiquetas (autoria, alertas, preços).

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